Sonata:
s. f.
1. Mús. Peça de música instrumental composta, em geral, de um alegro, um adágio ou andante e um final movimentado.
Só assim posso descrever nosso primeiro encontro. A alegria encontrava-se dentro de mim. Começaríamos no melhor dos restaurantes do bairro do Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro: Amadeus. O título do blog, apesar de se chamar Sonata caro leitor, não tem relação com o nome do restaurante e sim com o prato amado por mim naquele dia.
Começamos com as linguiças de pernil e com os bolinhos de bacalhau, que dão um início digno a um encontro fraternal. As linguiças são gordas e suculentas, vêm quentes para serem abertas e recheadas por um molho à campagna sem registro na História. Os bolinhos são sequinhos e de um tamanho tão espetacular, que podem (devem) ser amassados, para serem cobertos por um azeite português que evelhecera sabiamente no trajeto Lisboa - Rio de Janeiro. O prazer estava à mesa, mas o melhor ainda caro leitor, estava por vir.
Pois ele chegou à mesa com uma postura que encanta os olhos: "Él Bife de Chorizo". Um contra-filé argentino, mal passado, com sal grosso na medida certa. Simplesmente divino. É de um sabor único, que o caro leitor, enquanto aprecia o primeiro pedaço, vai ao céu em sublime ascensão e retorna para realidade em graça divina. Acredito que o segredo consiste em espalhar o sal em cada corte dado. Quando passamos a faca, espalhamos o sal nas duas partes: no pedaço que vai à boca, e no filé que continua a repousar no prato.
Por fim caro leitor, não posso me esquecer das Batatas ao Murro que acompanharam o filé como a "quinta formação romana". Eram leves, porém atacavam com um sabor inigualável.
Este sim será sempre o prato que amei. Como uma sonata comecei alegre e terminei agitado, pois havia encontrado a música num prato gastronômico.
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